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发布于:2021 年 10 月 9 日 上午 9:19
更新于:2021 年 10 月 9 日 下午 8:05

Por vezes, você que antes era repleto de amigos, ao deparar-se com um quebra-cabeça terá que resolvê-lo... sozinho, pois não é qualquer amizade que prevalece sobre os desafios. Ou talvez sequer precisou de um desafio. Simplesmente você foi, aos poucos, se esvaindo das lembranças de pessoas das quais gostava da companhia, e reaproximar-se pareceu-lhe incômodo. Ou os desafios nem eram tão grandes assim, mas eram tantos que... nossa! Será que vale a pena perseverar?

Se sentir sozinho, esquecido, incapaz, são experiências que, dentre outras, nos roubam a esperança de continuar tocando o barco, de acreditar que o amanhã será melhor. E assim paramos onde estamos, enquanto os outros passam. Como estátuas. Como... lamúrias. Seres que se lamentam eternamente que não conseguem tentar outra vez, que têm medo, que nada dá certo. E na vida das lamúrias temos dois tipos de pessoas: aqueles que dizem "tudo bem, não faz mal se chegou só até aqui. Aqui é confortável. Não tem porque ir mais, pode ser perigoso e no fim, será tudo em vão mesmo" e as "pessoas-farol".

Em The Last Campfire assumimos o papel de uma pessoa-farol. Tá, tudo bem, parece mais uma meia do que uma pessoa, mas enfim. O sentido da nossa vida é fazer as outras pessoas (outrora lamúrias) enxergarem sentido na vida delas. Pode ser ajudando-a a resolver um quebra-cabeça difícil na vida dela para que, enfim, possa seguir adiante. Pode ser indo ao seu encontro que, de tão distante, acreditava estar isolada para todo o sempre. Pode ser ajudando-a com suas deficiências, afinal, cada um é um pouco diferente. Pode ser, até mesmo, somente escutando-a, pois há quem deseja só... desabafar um pouco, contar uma história. Pode ser, ainda, dizendo que ela é estupenda no que ela gosta de fazer, apesar de não ser a melhor pessoa fazendo aquilo. As formas de ajudar são muitas. Enquanto pessoas-farol somos como brasa, que traz aquele calorzinho interior de esperança. Nosso papel é iluminar os caminhos das outras pessoas e abrir novos para que em segurança elas sigam nossa luz.

E tal como Heráclito dizia que "nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio" pois ao sair do primeiro banho ele seria um homem diferente, não há como terminar The Last Campfire da mesma forma como começou a jogá-lo. Esse jogo é daqueles que justificam-se como obras de arte, pois tal como descrevi acima, ele é uma aula sobre humanidade. E se ele fora vendido pelos quebra-cabeças, é nessa abordagem da busca pelo sentido da vida que está seu brilho, ao meu ver.

Mas sim, para quem não liga tanto para a história (hereges!), os quebra-cabeças são o outro ápice. Bem diversos e, ainda que não sejam demasiados, há um bom passing entre explorar o cenário e o próximo puzzle. Mas exploram de diferentes formas as mecânicas que o jogo disponibiliza ao jogador e em nenhum momento senti alguma monotonicidade, por mais que a dificuldade se eleve de forma beeem gradual: qualquer quebra-cabeça pode ser resolvido em menos de um minuto da segunda vez, e olha que eu nem sou tão bom nisso.

O visual é de um 3D simples e bem feito. Os objetos no cenário são facilmente identificáveis e as proporções, formatos e animações deixam o jogo com um caráter fofo, que entra em congruência com a voz que narra (infelizmente somente em inglês) e com o texto dos diálogos, que por vezes são carregados de uma tristeza que te faz compartilhar um pouco da dor/frustração do personagem que fala. Ainda que de forma leve, entendi que essa sentimento colabora para o jogo transmitir a mensagem e o impacto desejado sobre o tema escolhido. A trilha sonora também faz sua parte, porém não vi grande destaque (e talvez nem caberia esse destaque afinal).

The Last Campfire pra mim, portanto, entra pro hall onde estão obras como Brothers - A Tale of Two Sons e Life is Strange, por serem jogos que, além de mídias de entretenimento muito bem feitas, de funcionarem bem, são experiências que impactaram minha forma que enxergar a vida. E The Last Campfire é, senão uma aventura fofa, um convite à reflexão do sentido da vida. Afinal, a vida é uma jornada cujo caminho não dá em lugar nenhum, mas a gente navega em frente, assim mesmo. E por mais que esse percurso possa parecer (e somente parecer) ser em vão, não é fácil fazê-lo, pois constantemente deparamo-nos com diversos quebra-cabeças no caminho. Cabe a nós sermos lamúrias ou sermos farol. Nem sempre será fácil ser farol, aliás, na maior parte das vezes não o será, e nossa luz poderá não resplandecer como outrora, mas aí é não nos desesperançarmos e contarmos com outros faróis adiante.
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2 条留言
2022 年 3 月 27 日 下午 11:39 
belo texto... filosófico... Algumas palavras me tocaram mesmo, porque querendo ou não, é uma realidade nua e crua... boa boa. vlw!
2021 年 10 月 19 日 下午 1:38 
Belo texto amigo, esse jogo é simplesmente sensacional, é tudo o que você mesmo disse!