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发布于:2023 年 9 月 21 日 上午 9:22

Teseu foi um herói mitológico que navegou de sua cidade, Atenas, até a ilha de Creta para matar o minotauro, e com isto, cessar a necessidade do sacrifício de jovens atenienses à criatura. O navio de sua empreitada fora preservado por trezentos anos, todavia, sempre que uma parte apodrecia, era substituída por uma nova. A questão que fica é: depois de muitas substituições, o navio de Teseu é outro navio ou manteve sua identidade?

Trocar partes que já se apresentam desgastadas, altera a identidade do objeto? Assassin's Creed vem substituindo "peças" há muito tempo, mas foi em Assassin's Creed Origins que trocou o casco, digamos assim, e em Assassin's Creed Odyssey resolveu mudar mais do que restava de antigo. Sequer há o protagonismo de um assassino, o que faz sentido, uma vez que a ordem só viria a nascer quatro séculos depois, no Egito. Dito isso, Assassin's Creed Odyssey seria um Assassin's Creed ruim se o analisássemos sob moldes saudosistas. Entretanto, Cory Barlog nos ensinou em God of War que, para conseguirmos navegar mais longe, trocar peças não é só bem-vindo como necessário.

Confesso que este jogo me fez sentir saudade de alguns personagens antigos, pois os aqui apresentados não conseguiram captar minha simpatia, à exceção do excelente Barnabás. E como são os personagens quem sustentam uma boa história, esta também não é muito interessante. Após a euforia do começo, vez ou outra você sentirá o ímpeto novamente de cumprir alguma missão: seja porque um dos escassos personagens acima da média cruzou seu caminho; seja porque é hora de caçar um alvo (que é o que um assassino adoraria fazer); seja porque chegou em um local novo. Mas não é uma constante. Por se tratar de um mapa tão imenso, é presumível que a narrativa que te guia através dele fosse um tanto comum e, por vezes, arrastada.

Parte do meu asco aos personagens também se deve às animações e expressões deles. Visualmente são lindas, como todo o jogo, contudo, é comum um personagens estarem gritando, sorrindo ou aos prantos no diálogo, enquanto sua face permanece impassível, o que, ao menos para mim, impede muito a imersão. O lado bom é que há muitos alívios cômicos, principalmente por parte do protagonista (joguei com a Kassandra, e a Letícia Quinto arrasou na dublagem), e apesar de alguns sarcasmos serem infundados, não faltarão momentos que o farão esboçar uma meia lua no rosto.

Aqui o promotor termina seus argumentos porque, narrativa à parte, Assassin's Creed Odyssey é um excelente jogo. Passando rápido pela sonoplastia, tanto os efeitos sonoros quanto a trilha são muito boas, com direito à algumas músicas terem certa proeminência, como a própria música tema. Ah, e não poderia deixar de mencionar os cânticos que a tripulação entoa enquanto navegando; mecânica que eu nem gosto muito, mas aproveito-a só para ouvir as canções.

Se a navegação não é lá um destaque, a mecânica de combate é certamente um dos pontos fortes do jogo. Claro, você ainda pode ser sorrateiro e, na maioria dos casos, eliminar os inimigos furtivamente, como eu geralmente preferia fazer e haverão equipamentos e instrumentos no mapa para isto (arbustos, meio-muros, cordas, etc.). Agora, tão prazeroso quanto, é se rodear de inimigos e regozijar-se a cada ataque aparado sucessivamente, imbuindo sua espada de chamas e executando uma sequência logo em seguida. Contra cinco, dez, vinte e, porque não, trezentos?

E se falta uma boa narrativa para te instigar a explorar o enorme mapa, esteja certo de que a curiosidade para saber qual será a próxima paisagem que verá o motivará a seguir adiante. Hoje, a Grécia não decepciona em cenas deslumbrantes, o que dirá em seus tempos áureos com os encantos que a mitologia e a fantasia podem acrescentar? É comum vermos a Grécia Antiga ser resumida a pálidos monumentos deteriorados de mármore branca, mas aqui não! Temos o prazer de ver esses templos grandiosos esbanjando cores e exuberância; construções que, infelizmente, não existem mais, fervilhando de pessoas; locais que, sequer temos a certeza de que existiram, ali, tão erguidos quanto qualquer outro. Para mim, essa é a verdadeira essência desta franquia e que aqui não fora negligenciada: a capacidade de Assassin's Creed reconstruir tempos de outrora com riqueza de detalhes e respeitando suas características, permitindo-nos interagir com eventos que somente chegaram a nós por apáticos textos e que aqui ganham vida. Bem como ver personagens como Hipócrates, precursor da medicina moderna; Heródoto, pai da História; e, ninguém menos que Sócrates, quem deu início à filosofia ocidental. Por mais módicos que estas figuras podem ter sido representadas, tê-las ali, edificadas com certo grau de acurácia, é formidável!

No fim das contas, ainda que eu preferisse uma história instigante a um mapa imenso, Assassin's Creed Odyssey não ficou em débito. Pelo contrário, apresentou personalidades de quem vale a pena procurar saber mais e esquecer aquela imagem de doze pilastras de mármore sobre um teto ruído que geralmente temos da Grécia Antiga e dar lugar a uma região rica, policromática e erudita, cuja cultura e conhecimento ensinamos até hoje. Portanto, se você, assim como eu, acredita que o navio de Teseu ainda é o mesmo, ignore o rótulo e deguste esse jogo como ele é e não como o que, supostamente, deveria ser. Afinal, não dá para agradar gregos e troianos, ou, melhor dizendo, espartanos e atenienses.
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